Papo de Artista

O Núcleo de Estudos, com o objetivo de conhecer e saber o que a galera de arte pensa sobre Liberdade e Arte e fazer um estudo a partir das contribuições, realizou uma pesquisa, e agora disponibilizamos o resultado da mesma. Faça o download do arquivo com a apresentação da pesquisa em PPS.

Clique aqui para baixar o arquivo.

 

Trabalho realizado pelo Núcleo de Estudos do Instituto Arte e Vida

Inspirado em Maria Cândida Moraes, do livro

“A Educação Musical e o novo paradigma” – autora Moema Craveiro Campos, Enelivros Editora e Livraria Ltda, 2.000.

 

De que forma a ARTE poderá colaborar para o desenvolvimento do ser humano nos seus aspectos intelectual, social e espiritual?

 

Esta questão sugere a sinalização de possíveis caminhos através de uma vivência no âmbito espírita entre educadores e artistas.

A proposta é compreender a espiritualidade da arte, abrangendo o desenvolvimento integral das potencialidades humanas.

A busca da verdadeira espiritualidade nos leva a caminhos valiosos que permitem a evolução pessoal ao encontro da própria transcendência.

A arte favorece o desenvolvimento da criatividade e da intuição, nos levando a criar mais, sentir mais, inovar e imaginar um pouco mais no sentido de encontrar soluções aos problemas que afligem a humanidade.

A verdadeira arte, procurando integrar o conhecimento da técnica com os aspectos intuitivos presentes na interação entre o sensorial e o racional permite, mais do que nunca, o atingimento de nossa consciência transpessoal – aquela que vai além de nosso cérebro, ultrapassando os limites de tempo e lugar.

A arte é a expressão da própria vida do artista que se manifesta nos sons, nos gestos, na palavra, criando a chamada “magia”. A arte seria, então, o reflexo dos seus desejos, de suas necessidades próprias e de sua inteligência emocional.

Isto nos leva a crer que é a partir da prática artística que criamos um campo de consciência de proporções infinitas, que se manifesta num estado material, pessoal e individual e num estado espiritual, transpessoal e cósmico.

Através da arte o indivíduo se desenvolve, não apenas como entidade física sólida, com limites definidos e amplitude sensorial limitada, mas caminha em direção a um campo de consciência ilimitado, tendo acesso a outros aspectos da realidade.

A arte permite que o indivíduo vivencie plenamente o seu próprio potencial espiritual a partir da auto-exploração. Isto o faz chegar à dimensão do Sagrado e da Divindade existente dentro de cada ser.

Essa consciência espiritual nos leva a apreciar e reverenciar todas as formas de vida, tornando-nos mais tolerantes, pacientes, compassivos, generosos e solidários. As vivencias espirituais ajudam a remover a sensação de alienação, criam sentimentos de pertencimento ao mundo, trazem força interior, otimismo e sensação de bem-aventurança.

Aumenta, também, a auto-estima. Através da Arte e de sua capacidade de abertura ao infinita, podemos burilar os nossos sentidos, abrir nossa percepção à extraordinária beleza do universo e apurar a nossa sensibilidade para que possamos melhor compreender os mistérios da existência.

A arte possibilita o exercício da LIBERDADE e da espontaneidade, pois o pensamento artístico promove o autoconhecimento e o desenvolvimento das inteligências intra e transpessoal.

A arte facilita o processo de religação interna da pessoa, permitindo o seu mergulho numa consciência cósmica e espiritual. Pela experiência espiritual, o homem pode perceber o vínculo que liga todas as coisas, a dimensão da capacidade humana para criar e amar – isto é a compreensão do sentido da própria vida.

Através da arte podemos integrar o nosso mundo corporal, racional, emocional e espiritual. Esta integração permite que transcendamos os limites do mundo físico, o ego, em direção a uma potencialidade infinita que rompe barreiras e impregna a nossa vida de sentido, unidade, criatividade, plenitude e bem-aventurança.

Através da Arte podemos unir educação e espiritualidade, deixando esta de estar restrita aos ambientes religiosos. A arte permite que o aprendiz adentre ao seu mundo interno e possa experienciar por si mesmo a espiritualidade. Dessa forma, o aprendiz poderá vivenciar e explorar melhor os valores universais e ficar mais fortalecido para enfrentar os desafios da própria vida.

Para Moema Craveiro Campos a arte torna o ser capaz de entrar em contato com o espiritual e faze-lo transparecer na sua obra.

Compreendendo tudo isto, a arte passa a ser o resgate de algo extremamente prazeroso – a expressão da LIBERDADE, da criatividade e da intuição – uma oportunidade de exercitar a imaginação e a espontaneidade. Resgata a possibilidade de cura, de evolução e transcendência.

 

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Nara Carloni – Abril de 2012.

 

Em Honra da Liberdade

Noel Rosa

Psicografia de Martha Gallego Thomaz

 

 

Se queres a liberdade,
Meu amigo, companheiro,
Busca em ti mesmo a Verdade
E liberta-te primeiro.

Se queres dar paz ao mundo,
Ver feliz toda a nação,
Não percas mais um segundo,
Pacifica o coração.

Porque ninguém pode dar
Daquilo que não tiver.
Procura, pois, cultivar
O melhor que em ti houver.

Do mundo nada se leva,
Dizem, mas não é verdade,
Pois garanto que trazemos
O defeito e a qualidade.

Não é vã filosofia,
Ciência ou religião,
Que vão te dar a alegria
E a paz ao coração.

Procura o entendimento,
Compreensão, fraternidade.
Busca mais conhecimento,
Mais amor e mais bondade.

Não há ninguém que te prive
De conquistar a verdade,
Mas o homem só é livre
Quando honra a liberdade.

E agora, meus amigos,
Eu vou dizer a vocês:
“Tenham todos muita paz
E boa noite, outra vez”.

 

(Transcrito do livro “Noel – Ontem, hoje e sempre”, editado pelo Grupo Noel.)

De que forma a arte pode colaborar para o desenvolvimento do ser humano a fim de que ele expresse com liberdade todo seu potencial artístico, intelectual, social e espiritual?

Penso que encontrar respostas e sinalizar possíveis caminhos será uma jornada muito especial de reflexões e vivências.

Primeiro é preciso considerar todos os aspectos que colaboram para uma educação baseada no desenvolvimento da criatura nos âmbitos físico, mental e espiritual.

O âmbito físico abrange a técnica específica da arte a ser expressada.

O âmbito mental reflete o intelectual, isto é, o conhecimento acerca das várias escritas da arte.

E o espiritual envolve a criatividade, a intuição.

No mundo atual da humanidade, quando se fala em inteligências múltiplas e inteligência emocional, em inter e transdisciplinaridade, temos que buscar a inteireza.

Então, para melhor capacitação do artista, quanto à percepção intuitiva, sensibilidade e criatividade, surge a preocupação de se exercitar também a imaginação, a espontaneidade e a liberdade de criação; e que essa arte seja direcionada para o crescimento do homem como ser racional, sensorial e espiritual, auxiliando-o a compreender as transformações rápidas que vivemos, preparando-o para o século XXI.

Moema Craveiro Campos, 1 expondo sua visão geral da arte, chama-nos a atenção à necessidade de uma educação globalizante, condizente com o momento do planeta e acrescenta a necessidade urgente da prática da criatividadena educação.

Afirma que é de extrema importância a espontaneidade no momento da criação de arte, presente na expressão de uma idéia marcada pela nossa identidade – contado com o divino que existe em nós.

É o momento de fazermos uma conexão com o sensível do nosso ser, facilitando a liberdade de expressão.

 

E como seria essa expressão artística sem perda da liberdade e da função estética da linguagem?

Vários aspectos podem ser observados:

Primeiro, a busca do direito à criação e o contato com o espiritual da arte. Entendemos que isto só terá sentido se tiver como objetivo primeiro o crescimento individual da pessoa, através da satisfação plena de se expressar pela arte. Isso envolve a satisfação no fazer.

Arte está ligada a sentimento, consequentemente à expressão, resultando em comunicação.

Impossível negar a energia e poder existentes na arte e sua relação misteriosa com o interior do homem, capaz de atrai-lo, modifica-lo e até mesmo conduzi-lo. A arte enquanto energia estimula o movimento interno e externo no homem, impulsionando-o à ação.

É inegável a força de comunicação e energia que a arte proporciona sem a consciência mais profunda do que isso representa. Sensorialmente todos devem sentir as modificações que a natureza proporciona no próprio interior: a força da natureza no som de uma cascata; a beleza de um vale ou montanha; a satisfação de ver uma árvore florida.

Isto toca nosso interior. Esses valores não são só materiais e, portanto nossa atitude não será a mesma se vemos nelas valores espirituais e cósmicos. Há nisso um poder fundamental – de fazer evolver ou degradar completamente a alma do indivíduo.

Assim, a arte tem o imenso poder de proporcionar o crescimento individual do ser e o contato com o mundo que o rodeia.

 

O Segundo aspecto nos mostra que a arte é uma necessidade humana. É quando ela surge em suas diversas manifestações: plástica, cênica, rítmica.

Neste caso temos que considerar a “forma” como elemento no qual repousa a expressão do artista.

A expressão é a harmonização entre dois aspectos da percepção humana: razão e sentir. Numa profunda interseção se dá a realização artística. A forma é o resultado da ordenação dos elementos que ocorreram na imaginação.

Langer 2 considera a arte como criação de formas simbólicas do sentimento humano.

 

Na realização da arte, a técnica é o caminho da suprema habilidade de domínio do material a ser usado; isso envolve da compreensão de arte à paciência de se habilitar. Este processo é tanto externo quanto interno, pois leva-nos a descobrir que o domínio perfeito da arte, ao contrário de oprimir, libera.

No Oriente, a palavra arte carrega no seu cerne o sentido de aprimoramento, de busca da elevação, do caminho da espiritualidade.

Se a arte flui em duas correntes distintas no Oriente e no Ocidente, crê-se numa união dessas duas correntes, que se refletirá no aperfeiçoamento da evolução estética da humanidade.

O pensamento artístico ocorre em três níveis:

1º – o uso da arte com sentido puramente estético;

2º – refletindo o plano intelectual e educacional;

3º – manifestando o sentido espiritual.

Sob este aspecto não é necessário que todo homem venha a ser um artista, mas é necessário todos terem sua faculdade estética desenvolvida, as emoções trabalhadas, o gosto treinado e sensível ao sentido da beleza, a compreensão intuitiva aberta à expressão da forma e da cor. A purificação do coração é a estrada indicada pela qual o homem chega a esse cumprimento superior. A arte é o agente poderoso em direção a esse fim.

Ressaltamos aí a necessidade da arte na educação, expressada pela imensa força educativa da música, pintura, escultura, etc. A educação, ao utilizar a arte evoca na alma humana e no mundo exterior o poder e força da natureza, energia, calma, inspiração, entusiasmo. Daí sua importância na educação, pois se a arte é sutil e delicada, ela também torna nossas mentes sutis e delicadas em seus movimentos (suas produções).

 

Sabemos que educação é um contínuo desenvolver, um transformar pela consciência, um pensar para atuar. Para tal torna-se necessária tanto a liberdade para desenvolvimento da personalidade como a afetividade que proporcionará segurança.

Quanto à liberdade, podemos observar que um indivíduo é livre quando ele próprio se permite sentir e se dispor a projetar seus pensamentos. O resultado dessa liberdade na arte é percebido quando os produtos estiverem mais próximos do criativo. Dessa forma, o homem tem a oportunidade de reter a informação obtida, experimenta-la, avalia-la, percebe-la em detalhes e devolve-la com modificações de caráter pessoal, influenciada pela criatividade que lhe é inerente.

A verdadeira educação é voltada para a formação integral do indivíduo, desenvolvendo desde a inteligência, o pensamento, a consciência e o espírito, capacitando-o a viver numa sociedade pluralista em permanente processo de transformação.

“Isso implica, além das dimensões cognitiva e instrumental, o trabalho, também da intuição, da criatividade e da responsabilidade social, juntamente com os componentes éticos, afetivos e espirituais. Para tanto, a educação deverá oferecer instrumentos e condições que ajudem o aluno a aprender a aprender, a aprender a pensar, a conviver e a amar. Uma educação que o ajude a formular hipóteses, construir caminhos, tomar decisões, tanto no plano individual quanto no plano coletivo.”  3

 

A educação é um processo vital na formação do homem, para o qual concorre a ação consciente do educador e a vontade livre do educando.

É uma atividade que leva o ser humano a desenvolver suas potencialidades físicas, morais, intelectuais e espirituais.

Abrange o homem integral em todos os aspectos de seu corpo e de sua alma, ou seja, em toda extensão de sua vida, com o objetivo de eleva-la e aperfeiçoa-la. É processo contínuo, que começa nas origens do ser humano e se estende até à perfeição.

A educação através da arte possibilita a percepção da harmonia, a distinção do feio e do bonito pela atitude natural de observação sensível.

Pela arte-educação toca-se o interior sensível do ser; a arte passa a ser o reflexo expressivo desse interior, mostrando suas características únicas e pessoais.

O manejo livre desse potencial proporciona uma maior participação na comunicação. Isto é interação do indivíduo com a sociedade. Mas, para expressão livre é necessária a exteriorização, sem receios, do sentimento, sensações, pensamentos e das próprias intuições.

Quando damos à intuição o devido valor, observamos que ela é a essência para se alcançar a liberdade de expressão.

A importância da livre-expressão está na tentativa de afetar outras pessoas pela exposição do pensamento e sentimento.

As oficinas de arte têm como objetivo desenvolver a criatividade inerente em todos nós, resultando também no acesso ao auto-conhecimento e realização pessoal, ao mesmo tempo que abre espaços ao exercício da intuição. A expressão com liberdade natural faz o indivíduo vivenciar a arte integrada com todas as áreas do conhecimento, dando oportunidade de recriação e participação ativa do indivíduo, no seu sentido mais completo.

Se desde pequenos tivéssemos a liberdade de usar a arte, vivendo com prazer o mundo da fantasia, teríamos menos medo de “errar” e mais liberdade de expressão.

Certamente cumpriríamos as fases do desenvolvimento natural do processo criativo na trajetória do autoconhecimento e conquista da técnica.

São etapas naturais para se atingir o conhecimento criativo artístico.

O experimentar está ligado à permissão do erro. Errar e acertar é dualidade a serviço do equilíbrio.

O exercício da liberdade tem como meta a realização de idéias. O resultado permite transmitir, através da arte, o sentimento do artista.

Na verdade há um tipo de magia contida na arte que estimula o sentimento, trazendo outras cargas de sensações renovadas. É como uma nutrição, onde as diversas linguagens artísticas permitem aprender o amor. É também um despertar da imaginação criativa, dando consistência à expressão mais livre e mais rica.

Na área pedagógica observa-se uma crescente necessidade de valorização do processo criativo. A criatividade permite um contato mais profundo da criatura com seu potencial interno. É trabalho simultâneo de experimentação, exploração, percepção, como também elaboração e estruturação de idéias. Neste processo a pessoa entra em contato consigo mesmo, cujo resultado é o  autoconhecimento que abre espaço para a transformação própria e crescimento.

Em se tratando de educação na arte cremos que o objetivo primeiro deva ser o de desenvolver o ser sensível que há em todos nós. Esse ser sensível deve-se permitir existir e expressar.

O direito de se expor através da expressão é fruto da liberdade interna de se permitir sentir e de expor seus sentimentos; é expressar sua liberdade de ser.

Importante lembrar que, antes de ser artista é necessário vivenciar o ato de aproximar-se de si próprio e de suas emoções.

 

HOWARD 4 comenta que todo artista deve ser capaz de criar dentro de si, em momento preciso, um estado de espírito que lhe permita realizar o desempenho artístico dele exigido.

Prosseguindo neste pensamento diz que essa atitude é uma faculdade que o artista adquire ao observar seus sentimento, aprendendo a transformá-los, a eliminá-los, se for necessário ou faze-los nascer novamente.

Esse processo implica na expansão das potencialidades da pessoa, pois ao tornar-se livre interiormente escolhe uma “vida plena”, isto é, capaz de expressar sem limites. A relação entre vida e liberdade se concretiza muito mais numa postura interna de não ter medo de ser e de se expor.

Alguns autores acreditam que uma obra é frequentemente expressão espontânea do sentimento, ou seja, reflexo do estado de espírito do artista, deixando transparecer também a vida da sociedade da qual ele se origina.

Sobre a necessidade humana de produzir e apreciar arte, Hegel 5  afirma que a verdadeira liberdade será conquistada somente na superação do individualismo, isto é, não pode estar distante do coletivo, visto que o ser humano está inserido em um contexto social. Isto o leva à necessidade de construção de um modo de gestão responsável da própria liberdade, tendo como perspectiva os demais seres humanos.

A arte, nesse sentido, tem o papel de agir como reflexo para o próprio aperfeiçoamento moral e instrutivo do sujeito.

Ao ampliar este conceito de arte e valorizar este campo de estudo e de criação, Hegel (idem) coloca a arte como possibilidade de elevação do espírito, tanto no processo de criação, quanto no ato de contemplação da obra artística.

Buscando em Joanna de Angelis 6  o entendimento profundo sobre liberdade e com intuito de estabelecer ligação com a arte, concluímos que os limites da liberdade humana estão inscritos na própria consciência. Sob este aspecto é vedado ao homem a exploração de outras vidas, das quais subtraia o direito de liberdade.

Liberdade legítima decorre da legítima responsabilidade, não podendo aquela triunfar sem esta.

A responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais, que são a questão matriz que permite o desenvolvimento dos direitos humanos.

À toda criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.

Quando o homem romper em si mesmo as algemas das paixões se tornará livre, pois vencendo-se e pacificando-se interiormente poderá usufruir da liberdade real, aquela que nenhum grilhão ou presídio pode coibir.

Para sermos livres, então, cumpre-nos ensinar e usar a verdade assim como pregar e viver o amor conforme o ensinou Jesus.

 

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Colaboração de Nara Carloni – Agosto-2012

  1. CAMPOS, Moema Craveiro, A Educação Musical e o Novo Paradigma, Rio de Janeiro, Enelivros, 2.000.
  2. LANGER, S.K., Sentimento e forma, São Paulo, Perspectiva, 1980.
  3. MORAES, M.C., O paradigma educacional emergente. Campinas. Papirus, 1977.
  4. HOWARD, W., A musica e a crianças: novas buscas em educação. São Paulo, Summus, 1984.
  5. HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. 2ª. Ed. Cursos de Estética. Tradução: Marco Aurélio Werle, Edusp; São Paulo, 2001.
  6. JOANNA DE ÂNGELIS, Leis Morais da Vida. Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada, Salvador BA, 1976.

 

Nenhum homem tem as faculdades completas. Pela união social, eles se completam uns pelos outros para assegurar seu bem-estar e progredir. Por isso, tendo necessidades uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados.
(Allan Kardec)
Na base de nossas conquistas na humanidade se encontra uma instituição que simboliza e encarna a palavra união: Grupo. A reunião de pessoas em torno de uma causa promove grandes transformações e revoluções, tanto para construção ou destruição, tal a força dos braços, mentes e corações unidos.
Nascemos numa célula grupal da sociedade chamada família e nela construímos e exercitamos nossos primeiros passos de convivência, onde encontramos nossos amores e desamores e aprendemos a lidar com as diferenças. A partir desta família seguimos uma seqüência ilimitada de convívios em grupos, desde a rua onde moramos, escolas, trabalhos, clubes, associações, centros espíritas etc.
O mundo do século XXI vem mostrar a imprescindível necessidade de trabalharmos em grupos e nos unirmos em conjuntos para mover determinadas causas. Ao mesmo tempo estamos no paradoxo do isolamento e da separação causados pelas escolhas pessoais, desestruturação das células familiares, guerras entre países e um completo sentimento de insegurança movido pela violência manifestada de várias formas. Há uma perda de nossos espaços de convivência social, estamos perdendo os sentidos estéticos por uma educação da insensibilidade cotidiana que nos cerca, ou seja, esquecemos do espaço da beleza da convivência em nós e na sociedade. Estamos numa crise de sentidos que nos afasta uns dos outros.
É na religiosidade, como espaço do sagrado e da convivência conosco, com o divino e com o outro, que encontramos uma possibilidade concreta de resgatarmos, na prática, o sentido de comunidade, em que cada um é valorizado na sua individualidade e, assim, trabalharmos em prol de um bem coletivo. Quando nos colocamos disponíveis em estar nas grupalidades que lutam pelo bem estar planetário, sentimos que nosso Cristo, mais íntimo e transformador, está conosco, lembrando quando ele nos disse que “porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mt 18, 20).
Nas comunidades religiosas reconstruímos a base de nossa convivência em tribos, em círculos humanos ou coletivos solidários. Muitas vezes são nestes espaços que encontramos verdadeiros laços espirituais que se constituem novas famílias, onde teremos a irmandade, a paternidade e maternidade redefinidas por novas pessoas na junção de amigos ou familiares espirituais. Chamamos estas pessoas também de companheiros, por se definirem como aqueles que seguem ao nosso lado, que nos pode dar o apoio necessário na jornada complexa desta encarnação na terra e, assim, conseguir ser um vencedor das empreitadas nesta vida. Este vencer segue o que Bezerra de Menezes nos fala (2002, p. 90) que “aprendemos que vencedor é aquele que cede, ditoso é aquele que serve, feliz é aquele que doa, fiel é aquele que renuncia”, sendo estas boas pistas de nosso viver bem em grupos.
Além disto, temos como alicerce desta grupalidade aquilo que chamamos de afinidade. Nós nos vinculamos àqueles com quem temos uma relação afim e isto não quer dizer pessoas iguais, mas pessoas que se ligam por uma determinada combinação, sejam de valores, crenças, desejos etc. São pessoas sintonizadas, pois, vivemos em “campos de sintonia, nos quais os semelhantes se atraem e se unem, proporcionando reciprocidade vibratória, que eleva ou retarda o avanço espiritual e moral do ser” (MIRANDA, 2006, p. 86)
Podemos conviver em grupos afins e com completas diferenças pessoais e é isto que se constitui o grande brilho da relação interpessoal e que nos ensina os saberes necessários para um crescimento individual. Fica claro que precisamos do grupo e o universo conspira sempre a nosso melhor caminho, portanto são nestes aglomerados de centelhas divinas que estão nossos campos de trabalho.
Sendo o espiritismo uma religião a qual temos disponível para seguir em crença e prática religiosa, é importante sermos um verdadeiro espírita em grupo. Pelo vínculo espiritual destes aglomerados humanos, somos levados ao encontro de companheiros de outras jornadas reencarnatórias e, desta forma, ampliar nossas ligações afetivas ou desfazermos nossos desafetos. Cada membro do grupo representa um auxílio divino ao nosso aprendizado. São trocas de conhecimentos e experiências de vida que nos movem para uma rede e que podem nos auxiliar cotidianamente, facilitando um melhor entendimento do mundo por caminhos já vividos por outros. É a magia inesgotável da rede que se amplia, não somente de forma presencial, como virtual, ao vermos uma infinidade de possibilidades de construção de comunidades pela rede mundial da Internet e outros processos físicos e virtuais de comunicações.
Entretanto, toda a constituição do grupo depende essencialmente de uma responsabilidade individual perante aquelas pessoas com quem nós efetivamos um contato (aproximação) e chegamos a um contrato (vinculação) e, assim, com determinados compromissos explícitos (regras) e implícitos (disposição) determinamos a nossa participação. É claro que tudo isso pode ser feito de maneira espontânea e improvisada, mas, a organização deste vínculo determina a sua sobrevivência. Não basta somente existir é preciso sobreviver, contornando as adversidades e gerando novos rumos que garantem o fôlego e o interesse do grupo.
E para uma saudável sobrevida de uma coletividade é necessários alguns fatores de sucesso, principalmente, quando escolhemos a instituição de um grupo de arte espírita. Quando falamos destes coletivos é importante deixar claro que, num grupo, “a obra mais valiosa não é aquela que mais chama a atenção, mas a que presta mais benefícios à coletividade”. (PRISCO, 1992, p. 58).
Neste sentido, definimos como campo de avaliação, alguns fatores que determinam a vivência saudável, produtiva e unida dos grupos de arte espírita:
Clareza da causa
Para se constituir, inicialmente, um grupo de artes, deve existir algum consenso naquilo que une seus membros. Houve alguma demanda para se vincularem e com isto feito é preciso ter total clareza da causa ou do grande anseio/objetivo/foco desta coletividade. Como grupo artístico espírita a sua centralidade deve ser mantida em torno do eixo da arte e do espiritismo. Não se pode perder deste centro se não enfraquece os interesses ou se transforma em outra coisa que não um grupo de arte espírita. E isto se define também pela linguagem artística básica escolhida que tanto pode ser teatro, dança, música e/ou artes visuais.
A partir destas linguagens é que nos vinculamos ao ato da produção estética e nela depositamos nossos interesses, tanto por termos uma afinidade pela técnica artística adquirida ou pela paixão de praticá-la. Uma causa é um eixo diretivo como algo amplo que responde a identidade do grupo (características, escolhas estéticas, formas e itinerários) que abarca os princípios e alimenta todos os objetivos e metas do fazer grupal. É nele que nos voltamos quando temos dúvida de qual caminho tomar (qual obra ser construída, atividade a ser desenvolvidas, regras, soluções de problemas etc.). É a bússola do grupo, onde as direções representam as possibilidades e que limitam ou ampliam nossas escolhas, pois, ao determinarmos nossa causa criamos uma fronteira de atuação (não podemos fazer tudo ou abraçar o mundo).
Há uma definição clara que controla as escolhas individuais do grupo e por isso é fundamental cautela, segurança e responsabilidade na hora de fixarmos nossa causa. É claro que a qualquer momento o grupo pode mudar, mas, isso pode interferir completamente na afinidade deste grupo e com isso acabá-lo por completo.
Ao acabar, não podemos esquecer que a energia da causa permanece, sendo este um desejo divino, e ela será manifestada/encarnada automaticamente por outro grupo. Isto responde quando falamos que o trabalho não pára, as pessoas passam, os grupos terminam, as formam mudam, mas, a energia permanece viva até cessar sua necessidade. Como grupo espírita, a causa, ao ser criada, se vincula a um específico campo espiritual que acompanhará cada membro e todas as ações coletivas e individuais. É como se ligássemos uma tomada a determinado alimentador de energias e com isto mantivéssemos um compromisso de ideais e práticas que podem ultrapassar reencarnações.
Há vários exemplos de grupos que lidam com determinada causa artística e que recebem um acompanhamento direto de artistas e outras pessoas sintonizadas com este trabalho nos planos físicos e espirituais. É sabido que cada ligação espiritual vai de acordo com a seriedade e a responsabilidade do grupo, dependendo disto, para uma conexão permanente e qualificada. A desorganização atrai desorganização. Quando nos perdemos na causa é um passo para o fim. E outra coisa operativa é que não existe grupo sem causa, pode ser um aglomerado de pessoas mantidas por uma eruptiva vontade e que, só pela impulsão, pode não se firmar. É evidente que a partir da paixão (anseio) e de nosso ímpeto (vigor), se configuram os momentos iniciais de um grupo. Fiquem atentos a estes ímpetos para alimentá-los quando forem para o bem de uma coletividade.
E como último ponto fundamental é que a causa nasce e se vincula as causas pessoais. Ao pensarmos nestas causas próprias na vida, é importante lembrar o seguinte chamado para nosso ser:
Fala sobre o bem e atua no bem; refere-te à luz e acende lâmpadas de esperança; doa a moeda e ensina como adquirir o pão com dignidade; oferta o agasalho e promove o homem necessitado; elucida sobre o valor da cultura e ensina o alfabeto; comenta a excelência da prece e ora sem cessar, agindo e amando, porquanto, se nos cumpre fazer o melhor ao nosso alcance hoje (…). (SCHEILLA, 2002, p. 240)
Quando nós não temos claras nossas causas na vida, talvez ainda, não estaremos prontos para alimentarmos a causa de uma grupalidade. Podemos seguir de forma inconsciente, mas, é preciso o estado de consciência para utilizarmos sem ignorância o nosso livre-arbítrio e nossas criações para o bem da humanidade.
Base espírita
Toda crença é constituída de bases de estudos para uma determinada prática religiosa, no caso do espiritismo temos, ao mesmo tempo, a religião, a ciência e a filosofia que formam uma plêiade de conteúdos que alimentam toda a estrutura de uma casa espírita, com seus grupos, trabalhadores e freqüentadores. E numa definição clara do praticante do espiritismo como espírita, temos as bases de seus valores referenciados por aquilo que denominamos de homem de bem.
Um espírita deve ver o espiritismo como causa maior na vida, pois, é nele reservado a atribuição de trabalhador da última hora, como semeador e divulgador da terceira revelação e seguidor cristão do mestre Jesus como caminho, verdade e vida, partindo de uma causa eixo: amar ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas.
E quando falamos de grupo espírita, estamos falando que seus membros, necessariamente, precisam estudar e praticar o espiritismo escolhendo como a primeira causa de suas ações, mantendo-se como trabalhador consciente de sua missão e assíduo frequentador das atividades, leitor das obras espíritas e dedicado na ação do bem. Como espírita, o reconhecemos pelo seu exemplo como pessoa na família, no trabalho e em vários outros ambientes e também no centro espírita.
Desta forma, como fator de sucesso, temos então, a demanda de cada membro do grupo artístico ser um espírita como gostamos de chamar: praticante. É uma prática que se efetiva com toda a responsabilidade, pois,
em todo lugar onde nos encontremos, envidemos esforços para a verdadeira luta, do amor contra a brutalidade, da educação contra ignorância, oferecendo a quota de luz que todos possuímos, na certeza de que este é um dever nosso – espíritas – que não podemos postergar ou transferir para outrem (SPÍNOLA, 2002, p.43).
Somos aqueles que nos encontramos vinculados a esta crença e podemos com isso contribuir cada vez mais com a permanente produção de conhecimento para o mundo. Isto não mede o nível de equilíbrio espiritual, mas, define uma maior proteção e segurança perante as intempéries da vida, além de garantir uma vinculação mais qualificada e consciente com o plano espiritual.
Gestão participativa
A casa dividida rui, todavia ninguém pode arrebentar um feixe de varas que se agregam numa união de forças.
(Bezerra de Menezes)
Estamos num momento planetário que nos pede a solidariedade e a ética como atitudes cotidianas. Há muita corrupção se revelando cada vez mais pelo interesse público de mudar um quadro social de injustiça, seguindo a necessidade de se constituir um mundo mais ético. Com isso, não podemos separar a ética de uma atitude solidária perante o próximo. Iniciando isto pela simples atitude básica que explicita, esclarece e resolve os conflitos: o diálogo. Ao nos disponibilizar ao diálogo, estamos agindo no respeito ao outro, aos seus direitos e deveres e contribuindo para a proximidade afetiva, partindo para nos reconhecermos mutuamente.
Na construção de um grupo é básico o diálogo, o espaço aberto para o consenso (definições unidas) e o bom senso (definições coerentes) juntando-se ao respeito às diferenças, que chamamos atualmente de alteridade (conviver com as singularidades do outro). A pessoa solidária tem um movimento que envolve e que permite o verdadeiro encontro, sendo isto, representado por um símbolo: o círculo.
O coletivo em circularidade mostra que cada um tem seu espaço garantido. Todos podem ver todos e, principalmente, formarem uma unidade. É nesta base que hoje estamos alcançando um modelo de trabalho grupal mais democrático, em que as hierarquias se dissolvem em uma equidade de poder e decisão balanceando harmonicamente o nível de participação de cada um.
O grupo (corpo) é visto como um conjunto formado por suas partes (células), seguindo também o exemplo de sementes que se constituem em árvores. Podemos pensar num grupo como uma árvore, que mantém seus ciclos em permanente dinamismo. Como uma árvore, o grupo sabe que se encontram diante de intempéries, complicações, críticas etc. Desta forma, salientamos que “a árvore depredada, experimentando a poda violenta, renova-se e responde à agressão com a abundância de folhagem, de flores e frutos…”. (SCHEILLA, 2002, p 235)
Como corpo, o equilíbrio é mantido pela a participação e a sincronicidade de cada membro e, assim, podemos definir a saúde do grupo, em que
compete-nos agora o dever intransferível de não enganarmos nossa consciência; não utilizarmos o conhecimento das verdades espirituais em interesse próprio; não ocultarmos a quem quer a luz da verdade consoladora do Cristo (…) (MENEZES, 2000, p. 146).
Portanto, uma gestão participativa é uma forma de trabalhar que garante, eticamente, a completa participação solidária e democrática de cada membro nos encaminhamentos coletivos, em que se afirma “a tarefa de fazer luz em nós para todos que nos cercam” (Idem, p. 145).
Metas para sobrevivência
 
O espírito avança segundo a maneira pela qual ele cumpre sua tarefa
(Allan Kardec)
O que mais nos move na vida é o fazer, o agir, o ato de criar, ou seja, ter tarefas. Em um grupo de artes isto é o mantenedor do fôlego produtivo. É sua respiração para envolver cada um na prática. A produção artística representa uma das metas centrais deste tipo de grupo e move para uma direção que tem em sua trajetória. É o que chamamos de projeto, algo definido grupalmente como uma obra de arte em teatro, dança, música ou artes visuais e que vincula cada pessoa a uma determinada atribuição para gerar os resultados desejados.
Assim, explicitamos uma meta ligada diretamente ao fazer artístico, como existem outras metas de estudo, discussões, ações eventuais etc. O importante é ter metas, é vislumbrar resultados futuros e escolhermos os passos para alcançá-los. Quando o grupo perde o foco do que fazer, por ter escolhidos muitas metas sem as devidas condições de realizá-la ou por não ter definido as metas claramente é provável que se desintegre com o afastamento dos seus membros, perca-se o interesse e, por fim, acabe. Mas, neste instante de desafio grupal é preciso pensar que “somente através da perseverança é que se consegue amoldar as ambições aos atos, tornando-os realizáveis e materializando-os (…)” (ÂNGELIS, 1997, p. 112).
Vivemos para construir algo na vida e como artistas para criar através desta construção. É este nosso serviço divino, criarmos obras para mostrar, no exemplo, o nosso aprendizado individual e o desenvolvimento grupal.
Metas são como horizontes. É preciso tê-los para nos localizar no mapa (direções) e definir as melhores estradas (estratégias). Quando mais alto alcançarmos mais horizontes veremos, ou seja, quando mais experiente e desenvolvido, técnica e artisticamente o grupo, poderemos optar com mais clareza e escolher com maior discernimento. Ao perdermos o horizonte, talvez seja a hora de rever a causa e a disposição do grupo em crescer juntos para alçar vôos. As boas metas são aquelas que nascem com a junção de amor (aquilo que nos leva) e desafio (o que mais nos faz aprender). É quando realmente praticamos a frase: se queremos, podemos.
Compromisso individual
Você é: instrumento do Divino Mestre, para que as excelsas melodias da Boa Nova repitam irrepreensivelmente a harmoniosa mensagem de vida ao mundo atormentado
(Marcos Prisco)
Somos espíritos. Num entendimento de nosso ser integral, é preciso compreender que “o ser humano é um conjunto harmônico de energias, constituído de espírito e matéria, mente e perispírito, emoção e corpo físico, que interagem em fluxo contínuo uns sobre os outros” (ÂNGELIS, 1995, p.20).
Temos a oportunidade desta encarnação, que se junta a várias outras que tivemos na nossa história de vida para aprender e evoluir neste mundo de provas e expiações, como bem define os ensinamentos espíritas. E ao nos deparar com a vida que temos na atualidade sempre nos perguntamos: qual a nossa missão neste momento?
Nesta reflexão sentimos, intimamente, que “a hora é de vigilância, de atenção, para que não percamos a oportunidade que se renova para nossos corações devedores e carente da misericórdia divina”(MENEZES, 2000, p. 146).
O vislumbre desta missão, que pode ser representada por um conjunto de ações concretas na vida, esclarece quais os nossos compromissos. Vemos isto como escolhas efetivadas por nós mesmos para este tempo determinado de vida terrestre. Pelo nosso livre-arbítrio, podemos rever nossos caminhos, acelerando, atrasando, adiando ou transformando nosso crescimento, mas tudo se vincula diretamente ao que chamamos de compromisso individual. É algo que nos faz lembrar o que Joana de Ângelis esclarece ao dizer que “ninguém, portanto, aspira vencer, aguardando que outros realizem o esforço que lhe cumpre desenvolver, porque a conquista é pessoal e intransferível, não havendo lugar para fraude ou enganos” (ANGELIS, 1997, p. 136)
É neste pacto consigo mesmo que determinamos nossas responsabilidades que, muitas vezes, se referem a um trabalho conjunto. O nosso plantio/colheita em um grupo específico tem a ver com compromissos espirituais assumidos não somente com a causa, mas principalmente, com as pessoas.
Falamos de assumir o dizer sim ou não a uma determinada tarefa coletiva. É um compromisso muito precioso porque envolve diretamente o próximo. Imaginem uma pessoa que antes de reencarnar assume que será pai de outro e quando, já encarnado, desiste. O compromisso além de ter sido descumprido, pode ter gerado um desafeto, uma grande mágoa naquela pessoa. Multipliquemos isto para com um grupo de pessoas, quantas mágoas poderemos causar ao desistir daquele compromisso firmado, além de comprometer toda a tarefa escolhida. Pois, cada um é uma parte (célula geradora) do todo. Tem sua habilidade que servirá para determinadas metas do grupo. Podemos mudar, mas é preciso consciência de que as mudanças geram consequências que, talvez, mudem a vida de várias pessoas. Este é um processo de auto-responsabilidade profunda, em que o “conscientizar-se do que é, do que necessita fazer, de como conseguir o êxito, constitui para o ser, chamamento urgente, como contribuição valiosa para o empenho na inadiável tarefa da revolução íntima transformadora” (ÂNGELIS, 1997, p. 101).
Como um bom exemplo, pode-se escolher um compromisso com determinado grupo que terá uma grande missão de atender milhares de pessoas, mas por minha causa desastrosa e inconsequente, posso ter destruído tudo, pelo abandono impensado neste grande atendimento. Não é calar-se diante das faltas para com os compromissos, mas, sim ter a maturidade espiritual de assumir as conseqüências. No momento destas decisões é importante pensar que “os grandes homens são valorizados pela insistência com que perseverem na manutenção dos ideais que possuem” (PRISCO, 1992, p.188).
Ao assumir um compromisso é preciso ter a cautela, o discernimento e a sinceridade consigo e com o grupo para não ferir e atrair para si maiores desafetos. Sabemos que para iluminar nossas reflexões, o orar é um caminho saudável para abrir uma sintonia com Deus nas horas que a vida nos pede decisões de compromissos. Manoel Philomeno de Miranda (2006, p. 93) fala que “(…) aquele que ora se potencializa e irradia ondas de harmonia que envolve a tudo e a todos quanto lhe estão no campo psíquico ou emocional”
Comprometer-se representa um uso consciente do livre-arbítrio. É deixar a ignorância e atuar com a maturidade. Este amadurecimento é estar desperto, mostrando-se que
estar acordado é encontrar-se pleno, consciente da sua realidade interior e das infinitas possibilidades de crescimento que estão ao se alcance; liberta-se dos medos que o imobilizam na inutilidade; redescobrir-se a alegria de viver e de agir; ampliar o campo de comunicação com a natureza e todos os seres; multiplicar os meios de dignificação humana, colocando-os ao alcance de todos (…) (ANGELIS, 1997, p. 78).
Podemos negar o trabalho em determinado grupo, ou não, e isto representa assumir, implicar-se com nossas decisões para um melhor caminho na vida. Este caminho está ligado a nossa atitude de ser espírita, realmente, e assumir-se enquanto homem de bem, respondendo pelos nossos atos, sem por isso perder nossa busca pela felicidade, sem culpar-se diante das escolhas, mas mantendo-se um responsável consciente.
Organização íntima
Cabe a todo homem e toda mulher dedicados ao Bem, ao Amor e à Caridade, ao labor de fomentar o progresso sob todas as formas possíveis, refugiar-se sob a proteção desses Emissários da Luz e da Divina Misericórdia.
(Manoel Philomeno de Miranda)
 
 
Ao identificarmos um caminho para a organização de um grupo, há primeiro que se prestar muita atenção na organização íntima de cada indivíduo. Sabemos que nosso bem estar ou mal estar interfere diretamente no equilíbrio do grupo. Falamos de algo que está por traz, que vem antes e penetra todos os passos de estruturação de um grupo artístico. Muitas vezes, nos preocupamos e gastamos muita energia com as tentativas de organizar tempo, materiais, cronogramas, formas de trabalho, documentações etc., e esquecemos de que nosso ser com todo o seu potencial de harmonizar ou desarmonizar é que compõe toda a concretização da estrutura grupal.
Somos compostos por um conjunto de emoções, pensamentos, estados físicos, histórias de vida e energias espirituais que precisam ir antecipando-se no ato de organizar-se por inteiro e, ao mesmo tempo, dimensionando a mais coerente e adequada organização, seguindo o nosso estado integral no tempo presente. Este olhar dá um alívio para que tenhamos calma e estejamos concentrados para criar formas organizacionais de acordo com nossas capacidades. É um nivelamento entre estado íntimo e formas externas, que pressupõe menos frustrações, revoltas e desuniões que acontecem nos grupos que criam tão inalcançáveis exigências e impede a todos de crescerem no aprendizado.
É preciso entender que organizar é um planejamento que vem de dentro, que nasce no espírito e se manifesta através dos diversos instrumentos disponíveis na atualidade. O tempo, o espaço, as relações e as diversas operacionalizações que qualificam o equilibrado andamento e a produtividade de um grupo, alcançam seu sucesso contínuo e progressivas realizações saudáveis para o mundo, quando escolhemos começar pela nossa essência: o espírito.
        Cada passo dado está de acordo o nosso querer em consonância com o nosso poder, isto é que define as exigências mais equilibradas para organizar um grupo artístico, para que este aconteça no mundo com exemplos vivos de organizações que emane energias de bem estar e seja um permanente agregador.
        Para potencializar este ato organizador do grupo, sigamos os passos dados por Cícero Pereira (2000, p. 173), quando nos fala da instituição espírita:
Nossa melhor instituição: o amor;
Nossa maior necessidade: o Evangelho;
Nosso método mais eficaz: a simplicidade;
Nosso êxito no trabalho: equipe;
Nossa bússola teórica: a codificação;
Nosso primeiro dever comunitário: a família;
Nossa melhor administração: promocional;
Nossa primordial divulgação: o exemplo;
Nosso projeto unificador: a união entre os espíritas;
Nossa meta social: o resgate da dignidade humana;
Nossa estratégia segura: nunca ser contra ninguém;
Nossa mais útil discordância: a que fizermos conosco;
Nosso melhor trabalho: a realização despretensiosa;
Nosso maior compromisso: a melhoria íntima;
(PEREIRA, 2000, p. 173)
Que assim seja nosso grupo artístico espírita.
Referências Bibliográficas
ÂNGELIS, Joanna de [Espírito]. Autodescobrimento: uma busca interior. [psicografado por Divaldo Pereira Franco]. Salvador: Leal, 1995.
Vida: desafio e soluções. [psicografado por Divaldo Pereira Franco]. Salvador: Leal, 1997.
Terapêutica de emergência. [psicografado por Divaldo Pereira Franco]. Salvador: Leal, 2002.
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Salvador Gentille. 71ª edição. Araras-SP: Instituto de Difusão Espírita, 1974.
O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Salvador Gentille. 107ª edição. Araras-SP: Instituto de Difusão Espírita, 1978.

MENEZES, Bezerra [Espírito

 

 

Ney Wendell
Diretor Teatral, Arteducador, Mestre em Artes Cênicas pela UFBA e Membro da Associação Brasileira de Artistas Espíritas-ABRARTE. (Agosto de 2010 em Salvador-Ba)

No livro “Seara Bendita”, de Wanderley de Oliveira e Maria José de Oliveira, tem um capítulo denominado “Atitude de Amor” de Bezerra de Menezes, transmitida no momento do 1º Congresso Espírita Brasileiro em Goiânia, no ano de 1999 e narrada pelo companheiro Cícero Pereira.
Neste capítulo ele nos traz passos fundamentais para a doutrina espírita na entrada do século XXI. São partes desta mensagem que transcrevemos a seguir para relacionarmos com a prática artística e esclarecer os fundamentos da implantação deste fazer estético transformador, organizado e qualificado, dentro da casa espírita. É mais uma confirmação de nossa sintonia com que há de mais contemporâneo nas diretrizes do atual movimento espírita.
Para iniciarmos este entendimento, segue um trecho que traduz o ponto disparador da mensagem do espírito Bezerra de Menezes (2000, p. 346):

“Os primeiros setenta anos do espiritismo constituíram-se no período da consagração das origens e das bases em que se assentam a doutrina, que lhe conferiram a legitimidade. (…) Osegundo período de mais setenta anos, que coincide com o fechamento do século e do milênio, foi o tempo da proliferação. (…) Penetramos agora o terceiro portal de mais setenta anos, etapa na qual se pretende a maioridade das idéias espíritas. (…) É a etapa da fraternidade na qual a ética do amor será eleita como meta essencial, e a educação como o passo seguro na direção de nossas finalidades. (…) É necessário atestar a vitalidade dos postulados espiritistas como alavanca de transformações sociais e humanas.Sua influência na cultura, nas artes, na ciência, nas leis, na filosofia e na religião conduzirá as comunidades (…) a novos rumos para o bem.”

A arte entra como uma das bases desta renovação do atual setenta anos do espiritismo, por ser um processo educativo do espírito. A arte abre-se como um caminho metodológico da educação que ele nos fala e como campo de conhecimento que pode gerar diversos processos criativos, solidários e sensíveis de aprendizagem. Com a arte na educação colocamos o pensar, o sentir e o fazer como elementos que facilitam a manifestação desta capacidade de amar, inerente ao espírito, através do viver estético.

É possível dizer que, no fazer artístico, o espírito entra em contato com sua divindade, sua faculdade criadora que é o amor manifestando-se diante da natureza. Neste espaço criativo o homem se religa com Deus pelo poder de co-criar.
Outra consideração sobre a ética do amor, como meta, está na possibilidade do fazer artístico ser um momento do trabalhador espírita aprender a conviver com as diferenças, socializar-se ao criar e viver em grupo. Possibilita o autoconhecimento numa visão mais ampliada de si e, consequentemente, do outro. Neste sentido, é acionado um estado sensível que promove um respeito pelo outro, um olhar solidário e uma disposição para juntar talentos em aglutinações democráticas e colaborativas.
Para exemplificar, usamos o palco como campo de exercício da vida cotidiana e nele não estamos a sós ao apresentar um espetáculo. Há um coletivo atuante. Eu e o outro somos parte da obra. Há uma interdependência e uma necessidade de unidade para o resultado final, desde os ensaios até a apresentação. Nesta busca da unidade está o significado da prática do amor.
Educar com arte é possibilitar o prazer, a leveza e a amorosidade no aprender, além de despertar a beleza em cada talento potencializado.
A arte se encontra presente e firme na história destes novos setenta anos do espiritismo. É preciso produzir as obras e educar artisticamente, seguindo as demandas dos tempos de hoje, como ele bem nos esclarece, ao dizer que em verdade, a tarefa é urgente, não apressada, mas exige ousadia e dinamismo sacrificial para encetar as mudanças imperiosas no atendimento dos reclames da hora presente. (MENEZES, 2000, p. 346-347)
Este trecho nos alerta, enquanto produtores das artes no espiritismo, de que há uma urgência em nossa tarefa. É hora de ocuparmos nossos espaços no centro espírita com as artes, como uma atividade sistematizada e organizada e também expormos e circularmos nossas obras artísticas pelo mundo. É uma espiral de ação para dentro – vivendo o centro espírita – e uma ação para fora – revelando os conhecimentos do espiritismo – agindo como e para os seres humanos enquanto espíritos em evolução.
Há uma predominância de uma produção artística no mundo que não nos agrada enquanto espíritas, na qual, colocamos nossa discordância referente à comercialização acima dos princípios espirituais e o estado antiético dos artistas que se esquecem de sua função benéfica para este planeta. Queremos rever este caminho da explosão pós-moderna da arte, enquanto mercadoria, que acaba perdendo sua capacidade de manifestação divina, necessitando-se voltar para o bem estar do ser.
Como artistas, precisamos do conhecimento espírita e dos saberes artísticos para propor obras e ações pelas artes que explicitem o amor trazido em revelações pelo espiritismo, para o mundo. É fazer uma arte capaz de dialogar com o presente, com as exigências de qualidade que movem a sociedade e ao mesmo tempo re-alimentar a paixão naturalizada pela produção artística que transforme beneficamente o espírito.
Enfrentar o repúdio dos que alegam religiosismo ou os discordantes dos saberes espirituais dentro do nosso trabalho é difícil e precisa sacrifício e muito dinamismo para mexer-se com agilidade e simplicidade diante dos empecilhos e preconceitos, atuando no mundo com resiliência.
Falta apoio financeiro, pois, sabemos que a produção artística tem seus custos para manter-se com qualidade. Faltam os espaços disponíveis ou preparados para circular com nossas produções. Falta ainda qualidade técnica em nossas produções e, acima de tudo, disponibilidade de vida para dedicar-se a esta luta. Talvez, esta geração de artistas espíritas do século XXI, seja lembrada no futuro como corajosos desbravadores que disponibilizaram seus talentos para dialogar de frente com o mundo.
São atitudes como: levar produções qualificadas para nossa cidade, sendo apresentações espíritas; ocupação dos espaços na mídia; produção e pesquisa nas universidades sobre a arte e o espiritismo; maior circulação dos nossos produtos; construção de eventos como cursos, mostras, festivais, fóruns e encontros; criação de grupos organizados; profissionalização dos artistas espíritas; criação dos núcleos em nossas casas; edição de livros, artigos, revistas, CDs, DVDs, sites, filmes sobre esta arte e saber manter-se, eticamente, como um artista espírita etc.
Sobre isso Bezerra (2000, p. 348) nos lembra que “temos grupos dispostos a comprometer-se com os misteres da hora a custo de sacrifício; eles serão os apóstolos da ‘gentilidade’ dos tempos modernos”. Podemos nos colocar nestes papéis de apóstolos pelas artes do bem e do amor, sabendo que “agora é o tempo dos atos solidários pela união das forças”(idem, p. 351).
É hora de agir em grupo, em redes de intercâmbios, em cooperação. É no grupo que Bezerra coloca a responsabilidade de condução do espiritismo na atualidade. Os apóstolos estão representados e manifestados numa grupalidade. Por isso, nossa luta de unirmos os talentos artísticos em grupos organizados dentro da casa espírita. Não podemos trabalhar sozinhos, pois, os desafios são imensos e se renovam a cada dia. É preciso a constituição daquilo que chamamos famílias espirituais, comunidades de trabalhos etc.
É uma missão difícil unir artistas devido ao forte “ego” de cada um, formado por uma cultura da fama pessoal. Precisa-se muito de humildade e renúncia para trabalhar dentro de um grupo artístico, onde somos lançados para esta consciência de que precisamos de atos solidários e união das forças. Imaginem que belas produções artísticas podem nascer destas integrações de talentos.
Como poderemos crescer mais rápido com a troca de saberes e experiências, onde um ajuda ou complementa o outro para o resultado qualificado. A arte precisa de grupo, em que cada potencial pode ser aprimorado e ampliado para, através do estar em coletivo, cumprirmos a sublime missão dos espíritas.  Ao pensar no desafio desta união é importante lembrar que “a atitude de alteridade será o termômetro do progresso das idéias espíritas no movimento” (MENEZES, 2000, p. 349). Esta alteridade está diretamente ligada ao respeito, a convivência pacífica e a amorosidade ao outro e as suas diferenças no conviver diário.
Somos espíritos em evolução e estamos ao lado de um companheiro numa jornada de crescimento espiritual, onde cada um tem sua parte fundamental nesta história e é sempre bom lembrar que não é por acaso que nos tornamos parceiros nessa jornada.
Ao viver em grupo, não tenhamos medo do conflito, do embate de idéias. Bezerra nos fala que dialogar é uma atitude de amor. A arte tem em suas bases o diálogo e muitas vezes o conflito tem por traz uma nascente geradora para a produção artística.
Agora somos chamados a atenção que em todo este processo, realmente, não podemos ficar só. Há companheiros de jornada encarnados e desencarnados que trabalham conosco nesta seara bendita da arte e que se vinculam por afetos ou desafetos passados. Por isso, que o nosso querido autor nos revela, com toda a sua sabedoria que “é urgente trabalhar por uma cultura de trocas e crescimento grupal, habituando-se a ter nossas certezas abaladas pelo conflito e pela permuta.”(MENEZES, 2000, p. 350). E quando estivermos na crise, que nos afeta em alguns momentos na vivência grupal, é importante que “tomemos como lema a tríade inspirada do codificador ‘trabalho, solidariedade, tolerância’, como bem nos revela Bezerra (2000, p. 352).
Ele nos esclarece sobre a nossa atitude enquanto artista que deve estar vinculado aos princípios da codificação espírita. Temos que refletir sobre nossa missão nesta encarnação, sobre o nosso trabalho, qual o valor que ele possui diante da sociedade atual e principalmente qual a real disponibilidade de tempo, estudo e entrega para se considerar um trabalhador espírita.
Há neste papel uma grande responsabilidade assumida e que possui suas determinadas atribuições referentes aos resultados positivos para nosso planeta. E como medidas salutares deste trabalho, se encontram a solidariedade que mostra nossa disposição em agir em equipe e a tolerância que responde por nossa atitude moral.
Junto a isso, há a tolerância que explica a paciência que devemos ter com as diferenças de cada contexto social, cada sujeito enquanto espírito com suas histórias de vidas, com as opiniões de cada um e atender os princípios de compreensão e humildade para conviver com as especificidades de cada grupo ou pessoa. Com isso, podemos ter a certeza de que
“o núcleo espiritista deve sair do patamar de templo de crenças e assumir sua feição de escola capacitadora de virtudes e formação do homem de bem” (MENEZES, 2000, p. 353).
É hora de a arte assumir seu verdadeiro papel dentro da casa espírita. Sendo esta, uma escola capacitadora de virtudes, a arte torna-se um elemento fundamental para que o aprendizado aconteça por via tantos mentais, corporais, espirituais ou emocionais e, desta forma, consiga atender integralmente o indivíduo. Pelo caminho artístico, o ser se defronta com seus próprios potencias criativos que devem ser postos em práticas e bem utilizados, e com isso ele pode se tornar um verdadeiro instrumento do bem no mundo.
Há em toda sua constituição física e espiritual, capacidades que são despertadas pela arte e pode se manifestar em talentos para a sua vida e da humanidade, agindo com potenciais criativos para ser um sujeito transformador. Com a arte, o ser se ver num espelho natural, revelando-o como espírito com uma imensidão de talentos, em que o criar uma obra é aprender a agir como manifestante divino.
Fica assim, nossa forma de vincular as artes aos esclarecimentos expostos neste livro “Seara Bendita”, seguindo a viva mensagem de Bezerra e mostrando que o nosso criar artístico é feito de simplicidade e divindade, pois, a “a nossa meta essencial é o amor, a atitude de Deus em nós” (MENEZES, 2000, p. 349).
Referência
MENEZES, Bezerra [Espírito]. Atitude de Amor. In: OLIVEIRA, Maria José C.S; OLIVEIRA, Wanderley Soares de (Org.). Seara Bendita. Belo Horizonte: INEDE, 2000.

Ney Wendell
Diretor Teatral, Arteducador, Mestre em Artes Cênicas pela UFBA e Membro da Associação Brasileira de Artistas Espíritas-ABRARTE. (Agosto de 2010 em Salvador-Ba)

“A Arte não é um passatempo e sim um sacerdócio.”
Jean Cocteau
(1889-1963)
            A frase do poeta e dramaturgo francês que serve de epígrafe para o presente texto veio-me à mente após uma conversa recente com um companheiro do grupo de Arte espírita ao qual estou vinculado, a Cialemarte.
            Dizia-me o amigo de longos anos que em uma lista de prioridades minhas e dele, o grupo de Arte espírita ocuparia lugares absolutamente opostos entre a minha lista e a sua, embora ele adore fazer Arte e goste de estar no grupo. Isto equivale a dizer “Ok, eu gosto de fazer Arte, mas o grupo de Arte espírita não faz parte de minhas prioridades, por isso será um dos primeiros elementos a ser deixado de lado quando eu estiver sem tempo”.
            Para além de minhas elucubrações, fiquei pensando na simples questão da lista de prioridades. Pensei tanto que não pude dormir esta noite (de 21 para 22 de julho de 2010), embora o cansaço seja grande e a necessidade de sono seja uma realidade incômoda. A questão tomou tal peso que forçou-me a levantar de meu confortável e aquecido leito, ligar o computador e começar a escrever enquanto saboreio uma fumegante caneca de chá (estou tentando diminuir o café).
            Será justo colocar a Arte dentro de uma lista de prioridades quando ela se impõe como uma necessidade por si só? Desde que me entendo por gente experimento um fascínio pelas manifestações artísticas, basta dizer que era apreciador de ópera e de poesia aos 7 anos de idade. Apreciar a Arte levou-me naturalmente a produzir Arte e buscar sempre melhorar, aprimorar meu trabalho, preencher meu cérebro com informações que proporcionassem uma maior consciência sobre o que eu fazia.
            Nos últimos 20 anos, não houve um único dia em minha vida no qual a Arte não tenha estado presente.
Lembro-me de que em meu casamento tive todo um cuidado na elaboração da trilha sonora da cerimônia e da festa, sem contar o fato de que os jovens da Cialemarte prepararam um esquete como forma de presente.
No dia do desencarne de meu pai vi-me escolhendo bem as palavras para as despedidas de costume antes do sepultamento, buscando um efeito ao mesmo tempo lúcido, honesto e coerente com os princípios doutrinários. Lembro-me até de que uma semana depois lá estava eu no ensaio do grupo que, na época, ensaiava uma peça cuja cena inicial era exatamente um cortejo fúnebre. Ensinei os componentes a pegar alças de um caixão invisível e caminhar compassadamente.
            Ao longo dos anos sacrifiquei domingos em família, festas, passeios, feriados, viagens e até propostas de emprego em função dos trabalhos desenvolvidos com o grupo de Arte espírita.
            Realmente, em uma lista de prioridades não cabe a Arte, pois ela faz parte de meu ser. É como se me pedissem para deixar de respirar, ou para arrancar um braço. Simplesmente não vivo sem ar(te) e não posso amputar-me.
            Não quero com isso dizer que todos devam viver uma vida de extrema dedicação a ponto de tornar-se ausente como chefe de família, mãe, filho, irmão, amigos, nem levar uma vida de total ascetismo. O exagero é sempre prejudicial e deve ser evitado; até mesmo coisas boas e úteis, quando exercidas com desequilíbrio, podem tornar-se o flagelo dos homens.
            A questão que se me impõe no momento e que eu divido com um leitor provável é: qual o lugar que a Arte ocupa em você?
            Costumo dizer que a Arte é uma dama caprichosa e exigente, para quem nossa dedicação deve ser sincera e carregada de seriedade, caso contrário, não mereceremos seus favores e préstimos, não mereceremos nos chamar de artistas.
            Nosso esforço e empenho na Arte devem ser constantes, ainda que não exclusivos. Devem ser plenos, mas sem desequilíbrios. Devem ser verdadeiros, sem quaisquer outros interesses que não a expressão do que somos e do que sonhamos.
            Penso novamente em meu amigo. Para ele a Arte representa um passatempo, do qual ele abre mão com certa facilidade. E pensando nisso, eu sinto pena.
Glaucio V. Cardoso

Glaucio V. Cardoso

Glaucio V. Cardoso (prof_cardoso@ibest.com.br)
Mestre em Literatura Brasileira pela UERJ. Artista Espírita. Diretor da Cia. Leopoldo Machado de Arte Espírita (Cialemarte). Membro da Associação Brasileira de Artistas Espíritas (ABRARTE). Membro da Academia de Letras & Artes de Mesquita (ALAM-RJ). Contato: prof_cardoso@ibest.com.br
Onde a penúria chora e a revolta esbraveja,
Onde o mal se amontoa e a aflição nos espia,
Conduzamos o pão, a veste, a luz, o amparo,
O verbo que restaura, a benção que alivia…
(MARIA DOLORES, 1991, p. 80)
Firma-se aqui, a visão do artista como uma benção que alivia a humanidade de tantas dores e o verbo criador de impactos saudáveis que restaura o ser. Por isso, a necessidade de saber pulsar sua fé em cada ação artística.
Há na construção de uma obra de arte, um caminho da criação etérea em nossa alma, passando pela concretização poeticamente sólida e chegando à fluidez do público, que reverbera as reflexões e sentimentos mobilizados. Neste percurso, existe um foco claro quando se delineia para o artista a sua escolha, que o leva a execução corajosa, a tirar de si forças criativas que fluem por cada momento da construção estética. Quanto maior a motivação e o anseio em saborear a criação viva, maior o levante da sua alma para nutrir o objeto artístico. Pode-se dizer uma paixão de encantar-se pela escolha que fez e se manter criando ou num impulso que se torna a alavanca diária, cheia de vontade para gerar.
Vê-se aí um ato de fé do artista. Uma certeza que nasce quando se define a escolha do itinerário estético e se firma a vontade de materializar o que sua alma grita.
Mas, é preciso saber que a fluência criativa solicita um estado saudável do artista, uma vontade que venha sincera e viva de si. Isto se torna um problema, quando se perde o “fio da meada” ou a intenção primeira e mantenedora do fazer artístico que foi escolhido. Tornam-se presentes então, as dificuldades cotidianas, as invasões de dúvidas desagregadoras, a perda de concentração ou a sensação de desencontro consigo mesmo. Soa aí, o alarme de um estado de perda do caminho, de cegueira diante das ideias e ações e também uma falta de ânimo perante tantas questões insolúveis. Sabe-se que é necessário argumentar, avaliar-se na trajetória com vigor afetivo. Mas, quando o problema torna-se a trilha única e a solução desgasta-se na desistência, o artista paralisa ou perde seu vínculo com o desejo salutar da alma.
Para isso, é necessário retornar à sua capacidade ímpar que é saber ter um foco, saber que tem as devidas competências para gerar uma obra e que já conhece o caminho do éterico criar, ao manifestar materialmente o objeto artístico. O Emmanuel bem nos esclarece sobre isso ao dizer que “o artista, de um modo geral, vive quase sempre mais na esfera espiritual que propriamente no plano terrestre (1980, p. 102)”. É este diálogo poético com a sua alma e com as dimensões mais sutis que torna o artista capaz de efetivar a manifestação estética.
Este caminho é nato do fazedor das artes e pode ser bem explicado como um ato de fé que ele percorre, sendo um foco pulsante entre o espiritual (inspiração) e a execução (expiração). Desta forma, o artista compõe sua obra como ato natural de respirar, que segue sem pestanejar numa atitude de sobrevivência, pois, necessita do fôlego e do jogar o ar para as suas células criativas.
O artista sabe por em prática esta fé como a simplicidade da respiração. É a sua viva vontade de manifestar obras no mundo. Segue neste sentido, o caminho de que “a fé se diz da confiança que se tem no cumprimento de uma coisa, da certeza de atingir um fim” (KARDEC, 1978, p.245). Por isso, é necessário respirar com propriedade e ter a consciência que não pode perde a coragem e a vontade. É só lembrar que sua respiração é um ato de viver e que a sua obra é o resultado deste entrar e sair de si, deste imergir e emergir com as sagradas manifestações estéticas.
É uma simplicidade de trazer o ar para si, de encher-se de vida e saber que “a fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem vencer os obstáculos, nas pequenas, como nas grandes coisas (KARDEC, 1978, p.245)”.
Nesta trilha, existe o perigo da angústia em apressar-se, do desespero do estar perdido ou da desistência, quando se escolhe um respirar que não é saudável. É como querer sobreviver bem em escolhas de ares que deixa o ser doente e totalmente sem imunidade diante das peripécias da vida. Para respirar saudavelmente, com a fé necessária e viva é preciso saber escolher aquilo que faz bem a si e ao outro, mantendo a vivência com as devidas proteções, mesmo em ambientes insalubres, pois, sabe respirar a fé na fluência da criação artística.
Neste momento é preciso ter a atenção de que “a fé sincera e verdadeira é sempre calma; dá a paciência que sabe esperar (KARDEC, 1978, p.245)”. É no instante da sensação de perda, deste fluxo contínuo e sereno de inspirar e expirar as obras, que é necessário ter a devida calma para retomar a fluidez íntima e própria da alma que pode se expressar com fé.
Sabe-se que esta fé é o eixo que mantém a produção do artista, que o segura firme diante das adversidades e o deixa impregnado de vigor para cumprir sua missão estética no mundo. Por isso, saber respirar nas escolhas saudáveis ou caminhar por aquilo que faz bem é um responsabilidade humanitária para com aqueles que vão saborear e se envolver com as suas criações.
O artista é um servidor do bem estético, como um atuante solidário que gera fé no outro e, assim, entender que é um bom trabalhador que compreende, antes de tudo, o sentido profundo da oportunidade que recebeu e com isso “valoriza todos os elementos colocados em seu caminho, como respeita as possibilidades alheias ( EMMANUEL, 2009, p. 161)”.
Por isso, a respiração de fé que o artista imprimiu na obra vai envolver o público numa determinada respiração também. O estado daquele que presencia a obra vai ser de inspirar e expirar, seguindo a trilha do artista. Isto solicita, ainda mais, a responsabilidade singular da escolha por um processo e resultado saudável da criação, gerando saúde no público, na reverberação da imprescindível fé simples para sobreviver com bem estar nos dias de hoje.
Referências Bibliográficas
DOLORES, Maria. Antologia da espiritualidade; [psicografia de] Francisco Cândido Xavier. 4ª edição. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1991. 116p
EMMANUEL [Espírito]. Caminho, verdade e vida; [psicografia de] Francisco Cândido Xavier. 28ª  edição. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2009. 380p
_____________ . O consolador. ; [psicografia de] Francisco Cândido Xavier. 8ª  edição. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1980. 235p
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Salvador Gentille. 107ª edição. Araras-SP: Instituto de Difusão Espírita, 1978.

Ney Wendell
Diretor Teatral, Arteducador, Mestre em Artes Cênicas pela UFBA e Membro da Associação Brasileira de Artistas Espíritas-ABRARTE. (Agosto de 2010 em Salvador-Ba)

Em um curto espaço de uma semana fui ao cinema e ao teatro. Começo falando do segundo, no qual tive a oportunidade de assistir ao espetáculo “Vicente Celestino – A voz orgulho do Brasil”, uma produção da Cia. Limite 151, com Alexandre Schumacher no papel título.

            Com um elenco afiado (e afinado), a peça conta a vida de um dos grandes cantores do cenário musical brasileiro que manteve uma carreira de 54 anos, sempre fiel a seu estilo mesmo quando gravou músicas mais modernas.
            Não é minha intenção fazer comercial do espetáculo, mas deter-me na difícil tarefa de se levar ao palco ou às telas uma biografia em forma de narrativa. Nem irei me estender em explicações a respeito dos métodos que podem ser utilizados ao se escrever um roteiro que enfoque uma figura histórica.
Meu objetivo é pensar sobre os desafios que o ator enfrenta para tornar-se uma outra pessoa de carne e osso, que tem ou teve uma existência e uma interferência no mundo real. Há todo um conjunto de fatores a considerar: características físicas, aspectos psicológicos, tiques nervosos, a voz, as experiências.
Pensemos na minha ida ao cinema. Fui assistir ao filme “Chico Xavier”, no qual três atores dão vida ao médium mineiro de modo tido como impecável por muitos e irregular por outros. Mais uma vez não me deterei em análises mais aprofundadas sobre a atuação de cada um (o que é pena, pois por si só já renderia uma ótima motivação para a leitura do presente texto, deixo isto para mais tarde) preferindo continuar em meu raciocínio sobre o trabalho do ator.
Tanto no teatro quanto no cinema, o que vi foi o esforço hercúleo que o ator precisa empreender para tornar-se um outro reconhecível pelo público, para ser convincente a ponto de causar a ilusão de que a pessoa/personagem retornou do mundo dos mortos, atravessando as barreiras do tempo e do espaço e se manifesta ali em frente a uma plateia que espera vê-lo pela primeira vez, ou em alguns casos revê-lo.
No palco, Alexandre Schumacher adquire trejeitos, posturas, hábitos e até mesmo a impressionante voz de Vicente Celestino que era capaz de quebrar copos de cristal com um simples agudo. Nas telas, vemos um Chico Xavier que vai se “incorporando” na atuação precocemente equilibrada de Matheus Costa, na mansuetude bem dosada de Ângelo Antônio e na arrebatadora e ao mesmo tempo sutil de Nelson Xavier.
Em ambos os casos vi diversas pessoas saindo das exibições comentando sobre a semelhança entre os retratados e seus “retratantes”. E mais de uma vez ouvi daqueles que me sabem ator a pergunta “como é que se faz isso?”.
Pra começar, o ator necessita conhecer bem seu objeto de trabalho: ele mesmo. Ao dar vida a um personagem (seja ele histórico ou fictício), procuramos em nossa persona as características da outra. Criamos aquele personagem com uma boa dose do que somos e o amadurecemos com tudo aquilo que ele é por si só.
No caso de uma figura histórica, convém que o ator estude sua vida, veja suas imagens e procure entender como essa pessoa era, quais suas idiossincrasias e costumes, sua formação.
Acredito ser também necessário que o ator tenha o cuidado de não colocar o personagem em um pedestal, como se ele fosse alguém sobre-humano, sem defeitos ou fraquezas. Tente enxergar seu personagem como uma extensão de você mesmo, com algumas características que você não possui.
Outro risco que o ator corre é o da imitação. Já vi diversas peças teatrais e filmes que retratam figuras históricas. Noto que sempre que o ator tentou imitar o retratado, seu trabalho foi muito aquém do esperado, pois não consegue convencer, tornando-se mais um simulacro (cópia não convincente de algo) do que uma recriação; uma outra maneira de definir o resultado seria chamando-o de artificial.
A observação e a experiência me mostraram um caminho que acredito seguro para que o ator não incorra nesse problema. Ei-lo: ao invés de tentar imitar aquele a quem interpreta, o ator precisa seguir os seguintes passos:
1º.    Estudar a pessoa a ser retratada até o ponto de compreender suas motivações pessoais. Neste processo é interessante até mesmo um estudo sobre o contexto histórico em que tal pessoa vivia.
2º.    Observar, quando disponíveis, imagens (fotos e/ou vídeos) da pessoa. Neste momento o ator deverá memorizar sua linguagem corporal a fim de poder reproduzi-la (já se vê que a imitação não é de todo inútil).
3º.    Enxergar a pessoa retratada como um personagem a ser construído.
4º.    Transformar as motivações da pessoa em motivações do personagem; transformar a linguagem corporal da pessoa na linguagem corporal do personagem.
5º.    Vestir este personagem com o seguinte pensamento: “Se eu fizesse tal gesto, como eu o faria? Se eu acreditasse em tal coisa, como seria esta minha crença? Como esta ou aquela motivação interior seria exteriorizada por mim?”
Não se trata de uma cartilha a ser seguida cegamente, apenas de uma maneira que encontrei para vencer as dificuldades inerentes ao trabalho de atuação. Percebi que este processo leva a uma atuação convincente porque, ao apropriar-se de características dos personagens, o ator consegue dar um tom de naturalidade ao seu trabalho (embora não seja aqui uma interpretação naturalista, como querem alguns segmentos da arte de atuar). Conto uma de minhas experiências pessoais.
Em 2007 tive a oportunidade de interpretar Leopoldo Machado no teatro. Lancei-me ao trabalho de pesquisa com o intuito claro em minha mente de conhecer o homem por trás da história, captar o pensamento intrínseco de seus escritos e assim fui montando um retrato psicológico-histórico-pessoal do indivíduo. Eis que esbarro em um problema: a impossibilidade de conseguir imagens de vídeo de Leopoldo. Para muitos isso poderia ser um obstáculo; para mim foi uma oportunidade de testar até onde meu aprendizado havia me levado. Eu não tinha a preocupação de imitar o retratado simplesmente porque não tinha tal opção. E segui com a peça adiante.
Em uma das apresentações (mais de um ano após a estreia) havia duas senhoras na plateia que conheceram de perto o Professor Leopoldo Machado. Ao fim da mesma, ambas vieram até o camarim e, entre lágrimas, abraçaram-me dizendo que minha “imitação de nosso amigo estava perfeita! Era assim mesmo que ele era!”.
Ainda hoje eu sorrio com satisfação ao me lembrar desse fato, pois foi a primeira vez que “imitei” alguém que nunca vira e consegui o efeito desejado: ser ele.
Glaucio V. Cardoso

Glaucio V. Cardoso

Glaucio V. Cardoso (prof_cardoso@ibest.com.br)
Mestre em Literatura Brasileira pela UERJ. Artista Espírita. Diretor da Cia. Leopoldo Machado de Arte Espírita (Cialemarte). Membro da Associação Brasileira de Artistas Espíritas (ABRARTE). Membro da Academia de Letras & Artes de Mesquita (ALAM-RJ). Contato: prof_cardoso@ibest.com.br

A autoria espiritual de textos espíritas é assunto que sempre preocupou os pesquisadores do Espiritismo. Neste terceiro artigo pensaremos um pouco mais sobre o tema procurando lançar novos questionamentos a respeito do mesmo.

Tem sido muito comum nos textos espíritas, inspirados ou psicografados por este ou por aquele autor espiritual, o uso de pseudônimos para que obra não seja analisada pelo nome que a assina e sim pelo conteúdo e mensagem que apresenta. Também comum é o surgimento de obras assinadas por autores de relativo vulto, i.e., que em uma de suas encarnações tenha sido escritor. Em uma pequena ginástica mental tentarei abordar estes dois casos em um mesmo raciocínio por acreditá-los complementares. [+]

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